Downton Abbey



De vez em quando um pouco de inocência não faz mal a ninguém. Downton Abbey é assim, inocente. Uma novelinha que até agora teve três temporadas exibidas, totalizando 26 episódios, contando com dois especiais de Natal e um de bastidores. Não há nudez. Não há palavrões. Não há drogas. Não há politicamente incorreto. E por isso mesmo é um colírio, um alívio para mentes como a minha, que ao ser apresentada para um mundo totalmente diferente em séries que subvertem a ordem e os bons costumes, acaba perdendo contato com o bom e velho romance.
A história se passa no interior da Inglaterra e acompanha a trajetória de uma aristocrática família e seus criados, no início do século XX. O enredo não é inovador nem nada disso. Mas a forma como é costurado, como conhecemos os personagens, criando empatia por uns, repelindo outros, e depois nos levando a mudar de idéia, é o grande forte de Downton Abbey.
Na trama o casal Robert (Hugh Bonneville) e Cora Crawley (Elizabeth McGovern), conde e condessa de Grantham, têm três filhas, todas já na juventude. O problema é que a propriedade onde vivem – Downton Abbey – não pode ser herdada por uma mulher. No caso do conde não ter filhos homens, é procurado o descendente masculino mais próximo na árvore genealógica. Tudo estava bem encaminhado com um desses descendentes (leia-se que a filha mais velha, Mary, casaria-se com ele), mas o infeliz teve a infelicidade de viajar aos EUA a bordo do Titanic. Aí todo mundo sabe o resto...
Então procuram um outro descendente e chegam em Matthew Crawley (Dan Stevens), um primo distante, cujo pai, um médico, já é falecido, e ele mesmo é advogado, duas profissões menosprezadas pela ‘realeza’. Mas herança é herança né. E lá muda-se Matthew e sua mãe, Isobel (Penelope Wilton), que também exerce a função de, digamos, enfermeira, enfurecendo a matriarca da família, a condessa-viúva de Grantham, Violet Crawley, interpretada pela impecável e multi-premiada por esta atuação, Maggie Smith.
Às filhas resta apenas casar-se com algum nobre que proporcione o luxuoso estilo de vida a que estão acostumadas. O óbvio seria que elegante e um pouco esnobe e hostil Mary (Michelle Dockery) casar-se-ia com Matthew, mas os primos não se bicam num primeiro momento, e quando têm a oportunidade de fazer a coisa acontecer, outros empecilhos surgem. Já Edith (Laura Carmichael) é o patinho feio da família. Filha do meio, e em eterno pé-de-guerra com a irmã mais velha, vê-se o tempo todo deixada de lado, seja para que façam a vontade de Mary ou papariquem a caçula, Sybil (Jessica Brown Findlay). Mas esta última já tem um caráter totalmente diferente das irmãs, não é superficial e sim sensível para com as classes menos favorecidas, chegando até a fazer serviços voluntários de enfermeira durante a Primeira Guerra Mundial, lutando pelo direito das mulheres ao voto ou – que choque – usando calças compridas!
Mais pra baixo estão, literalmente, os criados. E são muitos! Além da dinâmica da cozinha, com cozinheira e ajudantes, temos valetes, lacaios, empregadas e, claro, a governanta e o mordomo! Essa é uma das partes mais gostosas, pois mostra como não era nem um pouco simples manter um palácio daqueles em pleno funcionamento. E sabemos como as pessoas são. Os ciúmes, invejas e intrigas estão lá presentes como o ar que se respira, mas também temos amizade, cumplicidade e amor. Ah, o amor!
Mas nem tudo são flores quando a vida tenta passar constantemente uma rasteira, e isso vale tanto para a galera ‘de baixo’ como para os ‘de cima’, e temos até momentos em que mistura-se ao outro!
Destaque para o chefão de todos, Mr. Carson (Jim Carter), o mordomo, que é quase tão respeitado – ou então temido – como o próprio conde, a bondosa e ao mesmo tempo rigorosa governanta Ms. Hughes (Phyllis Logan), o recém-contratado valete John Bates (Brendan Coyle), que por ter uma deficiência física e ocupar um cargo de grande honraria ‘furando a fila’ dos demais, já ganha dois inimigos de cara: o lacaio Thomas Barrow (Rob James-Collier) e a criada da condessa Ms. O’Brain (Siobhan Finneran), ambos portadores de corações peludos movidos pelo rancor e inveja.
Temos também Anna (Joanne Froggatt), que atende principalmente as filhas do conde, e que rapidamente apaixona-se pelo complicado e enigmático Bates, a bruta e engraçada cozinheira Ms. Patmore (Lesley Nicol), que tortura a pobre coitada Daisy (Sophie McShera), que ocupa o mais baixo cargo na casa, mas aos poucos vai conquistando seu espaço.
E claro que não podemos nos esquecer do chofer Tom Branson (Allen Leech), irlandês, ‘revolucionário’, católico até o último fio de cabelo, e perdidamente apaixonado por Lady Sybil.
Bom, o elenco não para por aí, mas me estenderia demais (se é que já não me estendi) ao falar, nem que seja mencionar, os demais. E, claro, a reconstituição de época e o carinho com os pequenos detalhes são fascinantes. Três temporadas já foram exibidas, a quarta já está sendo gravada e temos até a promessa de um prequel contando como Robert cortejou Cora (pelo dinheiro no início e depois transformando-se em true love). Ah, detalhe é que Cora é americana e sua mãe é interpretada por ninguém mais, ninguém menos que Shirley MacLaine.
Como eu disse no início, Downton Abbey é uma novelinha e por isso mesmo é uma delícia de assistir. 

Comentários

  1. estou adorando a série... e adorei seu artigo. parabéns.

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  2. amei seu artigo, estou realmente adorando Downton Abbey estou na segunda temporada ainda kkk mas é otima estou apaixonado pela Lady Mary kkk parece ser nojenta, mas tem seu valor.

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