Dark Shadows (Sombras da Noite) diverte dentro das expectativas


Uma mistureba de As Bruxas de Eastwick, A Morte lhe Cai Bem, Família Adams e claro, as boas e velhas histórias de vampiros. Para assistir a Dark Shadows (Sombras da Noite), filme do diretor Tim Burton com Jonny Depp, Eva Green, Michelle Pfeiffer, Helena Bonham Carter e Alice Cooper, é preciso enfiar na cabeça que a comédia é que dá o tom para a história, e, justamente por este motivo, é uma diversão descomprometida com duas horas de duração.
Também acho que não vem ao caso ficar discutindo se a estética criada por Burton em filmes maravilhosos do passado já deu o que tinha que dar. Ou você gosta ou não, assim como você possa apreciar, ou não, o estilo de Wood Allen, Martin Scorsese ou Quentin Tarantino. Enfim, é tudo uma questão de gosto. E sim, Burton é BFF de Depp e sempre que podem trabalham juntos, e já dá um jeitinho de arrumar trabalho para a esposa Bonham Carter, que, aliás, é um excelente atriz com ou sem o marido por trás .
O que mais me agradou na história é que grande parte dela é ambientada nos anos 1970, com a revolução sexual e cultural comendo solto. A graça nisso é que o vampiro Barnabas Collins, vivido por Depp, ficou enterrado num caixão por duzentos anos, e quando finalmente conseguiu se libertar foi justamente numa época tão diferente do que quando ainda era vivo.
E toda a confusão foi causada pela bruxa Angelique Bouchard, vivida por Eva Green, que por pura dor de cotovelo por não ser correspondida amorosamente pelo herdeiro da rica e próspera família Collins, resolve infernizar a vida dele. E tudo piora, claro, quando Barnabas se apaixona pela jovem e inocente Josette (Bella Heathcote). Acontece que não é só o vampiro que vive para sempre, e a bruxa mal amada Angelique também, e quando Barnabás ressurge lá está ela para tentar estragar a festa.
E quando retorna não é apenas os costumes que mudaram, mas a família, que antes era praticamente a dona da cidade, agora vive falida na mansão construída pelos pais de Barnabas, os negócios vão de mal a pior, e quem tenta segurar as pontas é Elizabeth Collins, matriarca vivida por Michelle Pfeiffer, que infelizmente não se revelou uma bruxa no final. Também vivem na casa a filha adolescente problemática de Elizabeth, Roger Collins (Jonny Lee Miller) e seu filho, a psiquiatra Dra. Julia Hoffman (Bonham Carter) uns par de empregados, uns par de fantasmas, e a tutora que é justamente a cara da amada do vampirão que morreu há duzentos anos.
Outro ponto positivo é que Barnabas é um vampiro das antigas, se é que você me entende. Dorme de ponta cabeça como morcego, gosta de caixão, bebe o sangue de suas vítimas com velocidade ímpar, mesmo que seja de uma galera que simpatiza muito, como os hippies muito doidos da história, não pode com luz solar, originando um visual super freak à lá Michael Jackson, é ultra-pálido, olheiras, cabelos negros, unhas compridas e amareladas... enfim, um clássico vampiro como o cinema nos encanta desde sempre. Mas se antes os vampiros apavoravam geral, hoje, eles apenas nos divertem.
Ah, sim, foi legal, mas muito legal mesmo ter participação especial de Alice Cooper no filme, os trocadilhos na história pela confusão que o vampiro faz com o nome, a piadinha de que "essa Alice é uma mulher muito feia", mas será que um Ozzy Osbourne arrancando a cabeça de um morcego não teria uma dramaticidade melhor? Hein? Imagina a bruxa Angie fazendo um Black Sabbath? 

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