Ar Mar Ação = Armação Ilimitada

Finalmente minha TV a cabo foi instalada após mais de duas semanas de perrengue do "sinal final de linha". E qual foi a minha mais grata surpresa ao poder assistir no canal Viva uma das coisas mais legais da TV brasileira dos anos 1980 (pelo menos do meu ponto de vista infanto-juvenil): Armação Ilimitada.
E ainda tive a sorte de rever justamente o primeiro episódio, que eu só mantinha alguns lampejos de lembrança. Primeiro, a explicação do nome: Juba e Lula (Kadu Moliterno e André de Biase) possuem uma 'firma' que presta serviços que vão de pilotagem à mergulho, por isso Ar-Mar-Ação, ou Armação Ilimitada.

São bons amigos e imagino que lá naquela época, dentro daqueles conceitos de beleza, eram os gostosões.
Logo no começo participam de um enduro de moto, onde cruzam acidentalmente com a jornalista Zelda Scott (Andrea Beltrão), que acabou de voltar de Londres para o Brasil com o pai exilado político (Paulo José). Numa dessas encontram também um molequinho super esperto, e que Lula logo de cara já chama de bacana. Virou o Bacana e todo mundo até hoje deve chamar o ator Jonas Torres por este apelido. Devo dizer que ele era uma criança muito fofa, bonitinho, daquele tipo de prodígio televisivo que infelizmente não repetiu sucesso ao longo dos anos.
Muito legal ver os óculos de Zelda embaçar quando fica excitada, a formação do triangulo amoroso (quer coisa mais arrojada que isso lá em 1985? Pensa bem, até hoje a TV aberta mantém um puritanismo hipócrita, principalmente quando se trata de uma relação homossexual. Agora, dois marmanjos namorando uma única moça era suuuper normal).
Zelda tem uma amiga, Ronalda Cristina (não, não é piada. Vai que os pais portugueses de Cristiano Ronaldo eram fãs da série). O papel interpretado por Catarina Abdala traz meio que um alívio cômico à trama, e se minha memória não me trai, ela vai engravidar de um extraterrestre (onda do filme ET?) e parir um ser de outro mundo.
É claro que na época eu me identificava com o Bacana, criança no meio dessa coisa maluca toda. Já ontem foi de Zelda que virei fã. Ela trabalha no jornal "Correio do Crepúsculo", e tem um chefe que todo mundo que já trabalhou numa redação sabe como é: o cara que te dá as pautas mais esdrúxulas e espera que você faça milagre ao escrever um super furo jornalístico. O mais legal é que o chefe se chama apenas Chefe, e toda vez que Zelda o cita, tipo "o porco do meu chefe", aparece o cara fazendo óinc óinc com uma máscara de porco, ou o "nazista" aparece ele como Hitler soltando os cachorros em alemão.
Ah, não posso esquecer das ótimas sequências de ação para os padrões da época, das excelentes locações e não ficar apenas em estúdio, da trilha sonora e do roteiro amarradinho. O final do primeiro capítulo foi ótimo. E se bem me lembro, os demais também. Só de ouvir o riff de guitarra da abertura já traz boas lembranças. No Wikipédia dizem que a "trilha sonora, creditada a Ari Mendes, tem o riff de guitarra na abertura retirado quase que integralmente da música Say What You Will, da banda Fastway, em seu primeiro disco, de 1983".
Outra coisa inovadora era a DJ Black Boy (Nara Gil), que narrava os acontecimentos direto de um estúdio de rádio, num cenário de estúdio radiofônico, provavelmente inspirado em personagem do filme The Warriors de 1979.

Ainda segundo o Wikipédia, a série era exibida às sextas-feiras às 21h20 entre 1985 e 1988. Isso significa que: a) a novela "das 8" realmente passava às 20h; b) era super cedo e mesmo assim eu morria de sono em todo episódio.Aliás, no primeiro ano, Armação passava só uma vez por mês, e isso era O Acontecimento do Mês na TV. Minhas irmãs, primos, vizinhos, colegas da escola, todo mundo parava até de respirar por 45 minutos.

Confira: Domigos, às 19h15, no canal Viva, reprise as quintas às 22h.

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