Livro, disco e namorado não se empresta

Tem coisas que só vivendo pra gente aprender né. Uma delas é saber muito bem o que você vai emprestar e para quem. Namorado, por exemplo, nunca fui louca de autorizar um empréstimo, mas mesmo assim sei que isso aconteceu na ilegalidade durante relações que ainda bem pertencem ao passado.
Livros, muito embora sejam um bem valiosíssimo, é tipo de coisa que se você já leu, o extravio nas mãos de amigos, amigos de amigos, conhecidos, mãe da amiga da irmã e por aí vai, é triste mas não é de cortar o coração. Tenhos vários livros emprestados por aí, e só sinto que dificilmente vou revê-los (e lê-los novamente, porque não) quando a pessoa muda de emprego, de cidade, de país, de academia, de bar... Se é um amigo com contato regular, não me importo (que o diga minha vexatória coleção Crepúsculo, que já rodou mais que Bella na mão do Edward e Jacob).
E devo advertir que sou uma exemplar emprestadora de livros alheios. Sempre devolvo. Tá certo que com Brumas de Avalon demorei uns 10 anos para devolver para minha tia, mas se estivesse fazendo falta ela pediria de volta. Nesses 10 anos li cinco vezes, então não ficou lá juntando poeira simplesmente. E gosto tanto que até comprei a coleção só para meu bel prazer, numa promoção fantástica (mas a tradução dessa versão é meia-boca).
Agora, discos e CDs são irrecuperáveis. Tenho um apego enorme por eles. E se perder algum não me interessa comprar um novinho em folha, porque aquele perdido tinha um valor único, todo um sentimento que percorria meu coração e mente cada vez que a agulha tocava no vinil ou os lases no sei lá como funciona um toca CD. 

Por exemplo, o primeiro CD que vi na vida (sim, o disquinho nem sempre esteve presente na minha vida), era uma coletânia sensacional do INXS. Foi presente do namorado da minha irmã pra ela. Namorado este que hoje é o marido dela, meu cunhado. Se pra mim o CD significava tanto, imagina pra ela né.
Aí, um belo dia, um fédaputa sem consideração e sem educação, que provavelmente nem tem conhecimento da importância de tal objeto e nem aprecia tanto assim aquelas músicas, simplesmente "empresta" e nunca mais...

Minha outra irmã é campeã em perder discos e CDs. Tenho que ser justa que 99% do que ela perdeu era dela mesma, então o problema é só dela, mas eram coisas muito legais e que eu provavelmente curtiria até hoje e ela não. Por exemplo, o vinil duplo do The Doors. Agora é um vinil simples. Um disco foi e outro sobreviveu. A tilha sonora do Pulp Fiction foi e sobrou só a capa. Idem pro acústico da Cássia Eller e aquele cor de rosa da Marisa Monte. E o meu U2 duplo então? E esse era meu mesmo. Sabe o que aconteceu? Estava num carro que foi roubado. Abençoado seja quem inventou o MP3 e o USB. Hoje você não precisa colocar seu disquinho no carro e ficar desviando de buracos para não pular. E não corre o risco de perder ou estragar um CD.

Agora, vou contar uma história revoltante: meu falecido pai, assim como eu, era um grande apreciador de música. Sua coleção tinha alguns Beatles originais. Pois bem, um belo dia sinto falto do Let It Be. Como naquela altura do campeonato minha irmã já não mais se interessava em perder vinil e se dedicava à causa dos CDs, e como eu NUNCA tiro os meus discos de casa, só tenho uma pessoa suspeita. Ah, se pelo menos metade das pragas que eu joguei pegarem, e eu recuperasse aquele disco, ficaria feliz da vida.

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