Quando os anos se tornam décadas: Nevermind
Estava lendo na Rolling Stones deste mês que David Grohl e Krist Novoselic se reuniram com o produtor de Nevermind, Butch Vig, após duas décadas dos trabalhos que resultaram no mais importante álbum dos anos 1990 e num dos mais importantes da história do rock. Daquela galera, só falta Kurt Cobain, que todos sabemos, não está mais entre nós há 16 anos. Esse encontro foi para o sétimo álbum do Foo Fighters, e Dave Grohl é definitamente um dos caras mais bem articulados e sangue-bom do mundo do rock.
E assim, chega a constatação da inevitável passagem dos anos, que se tornam décadas. O que outro dia mesmo foi um lançamento revolucinário, hoje já se tornou um clássico venerado por gerações que nem ao menos haviam nascido, ou pelo menos não eram serem conscientes, não estavam lá de verdade.
Eu estava. Me lembro perfeitamente da primeira vez que ouvi Smells Like Teen Spirit. Na sala da minha casa, assistindo a um programa de videoclips, mais ouvindo do vendo, quando começaram os primeiros acordes. Acho até que parei de respirar para tentar entender o que estava acontecendo ali. Naquela época tínhamos as bandas de heavy metal, os metal farofa, os já monstros do rock tipo U2, e os clássicos imbatíveis dos 60 e 70. Meu cérebro rastreou tudo o que o eu conhecia até então, e aquilo simplesmente não se encaixava em lugar nenhum. Nem no punk, nem no pós punk, nem no new wave, nem no tanto de mini movimentos sem sentido dos 80.
Aquilo era novo. Aquilo nunca havia sido feito. Quer dizer, anos depois, ao me apaixonar por Pixies, descobri de onde veio toda aquela inspiração, mas não podemos tirar o crédito do trio de Seatle (tá bom, de Aberdeen, mas é mais legal falar Seatle). E junto com eles mais uma leva de bandas mostraram ao mundo que rock é isso. Três, quatro caras tocando bateria, baixo, guitarra, com vigor, intensidade, fazendo protesto, falando de amor, ou das dores do mundo que atingem todo mundo, ou de qualquer outra coisa sem importância e sem sentido, mas que mesmo assim tinham algum significado. A grande revolução não veio através de técnicas perfeitas, ou da genialidade de grandes composições, mas veio sim através da simplicidade.
Graças a eles minha adolescência foi perfeita.
PS: Na verdade, Nevermind completará duas décadas ano que vem. Mas me sinto velha mesmo assim.



Comentários
Postar um comentário