A última de Tarantino: À Prova de Morte
Tá bom, cronologicamente falando, À Prova de Morte (Death Proof, 2007) não é o último filme - ou mais recente, se assim o preferir - de Quentin Tarantino, embora só tenha estreiado no Brasil muito tempo depois de Bastardos Inglórios, e claro, sem metade da repercussão da história da Segunda Guerra Mundial conforme o ponto de vista de meu diretor favorito.
O filme foi feito para rodar em sessão dupla, o projeto Grindhouse, sendo que o outro é Planeta Terror, de Robert Rodrigues, que não vi e a ideia de exibir os dois nos cinemas na mesma sessão não pegou por aqui. Por isso, À Prova de Morte ganhou uns minutinhos a mais, que muitos torceram o nariz por considerarem os diálogos longos demais. Para mim, 50% da graça dos filmes de Tarantino são os diálogos, tanto é que a parte de Bastardos que eu mais gosto é justamente quando o caçador de judeus interroga o chefe de uma família de camponeses na França (e nem é preciso mencionar Cães de Aluguel e Pulp Fiction né).
À Prova de Morte é uma clara homenagem aos filmes dos anos 1970. A imagem é cheia daqueles defeitinhos comuns nas películas, os cortes por diversas vezes são abruptos, os carros são Camaros, Dogdes, Mavericks, e tantos outros tão característicos daquela década. Até o figurino das meninas na primeira parte do filme é repleto de shortinhos jeans curtinhos coladinhos e camisetinhas justinhas. O tal À Prova de Morte é o carro de um dublê profissional que também é serial killer, o Stuntman Mike (Dublê Mike), interpretado por Kurt Russel. A trilha sonora então é maravilhosa, e só temos certeza que a história é contemporânea quando uma das personagens troca mensagens de texto em seu celular.
E como em todo bom/ruim filme de “terror” que começou a ser feito naquela época – e que resiste bravamente até hoje – as vítimas favoritas do bandido são os jovens que, digamos, curtem a vida, bebe, usam drogas, transam, são inconsequentes etc, ou seja, as meninas de shortinhos curtinhos coladinhos e camisetinhas justinhas. Ele faz um plano elaborado, dando novo sentido à palavra premeditado, provavelmente em busca de extremos, sabendo que estar sentado no banco de motorista no seu carro de dublê à prova de morte, ele não vai morrer – já quem está no lado do passageiro, como uma mocinha que pede carona, o fim é bem mais precoce. E tem um fetiche descarado em pés. Isso mesmo, pés femininos, pequeninos, delicados, descalços, balançando no painel ou fora dos possantes.
As mocinhas da segunda parte são um pouco mais comportadas. Estão numa daquelas cidadezinhas no meio do nada gravando um filme: uma atriz, uma maquiadora, uma dublê. Elas buscam no aeroporto outra dublê – que é dublê de verdade, a Zoë Bell – que quer porque quer fazer de conta que vai comprar um Dogde (fanáticos por carros, me perdoem, mas já esqueci o resto do nome do Dogde), para fazer nas ruas, com o carro, o que os dublês fazem nos filmes. Stuntman Mike, que não marca bobeira, já estava na cola das meninas há um tempo, então a perseguição fica melhor ainda. Só que nesta segunda parte a história dá uma reviravolta deliciosa, cercada por cenas de perseguição de primeira, muita adrenalina, e fechada com chave de ouro com uma bela de uma surra muito bem dada, no melhor estilo power women.
Se você gostou de Drink no Inferno, com certeza vai gostar de À Prova de Morte (que tem bem menos sangue). Se não, dê uma chance a este pseudo-mais-recente Tarantino, mas lembre-se que é um filme para ver com bom humor, sem esperar nada sério, só divertido. Meninos que gostam de meninas e, porque não, meninas que gostam de meninas, vão se deliciar com a cena da lapdance.
À Prova de Morte
Death Proof
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino
Elenco: Zoe Bell (Zoe), Jordan Ladd (Shanna), Marley Shelton (Dra. Dakota McGraw Block), Rose McGowan (Pam), Mary Elizabeth Winstead (Lee), Quentin Tarantino (Warren), Rosario Dawson (Abernathy), Eli Roth (Dov), Sydney Tamiia Poitier (Jungle Julia), Kurt Russell (Stuntman Mike), Vanessa Ferlito (Arlene/Butterfly)
Sinopse: Um piloto-assassino faz mulheres de vítimas nas estradas e as persegue com seu carro possante, usando-o como arma.
Estreia: 16/7/2010 (Brasil)







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