Seja honesto e impiedoso
Em determinado momento uma groupie tenta explicar a paixão por uma banda: "É amar verdadeiramente cada tolo pedacinho de uma música ou amar uma banda a tal ponto que chega doer". Na hora que ouvi isso no filme Quase Famosos até me emocionei. Por que eu sei como é gostar tanto de uma música ou banda que chega a doer. Sei lá, dói lá no coração, faz uma pressão no pulmão, dá um nó na garganta, borboletas batem asas no estômago...
Quase Famosos é um dos meus favoritos quando se junta música e cinema. E tem um adicional muito feliz, que é o jornalismo. A história é basicamente meu sonho utópico de jornalista, afinal não fui pra faculdade para escrever sobre política, economia, cidades, esportes e whatever. Fui pra arrumar emprego na Bizz (que depois virou Showbizz, e hoje nem sei se é publicada com regulariedade) e escrever sobre discos e shows de bandas do sensacionais. Mas, contudo, não foi bem assim que as coisas saíram. Acabei escrevendo sobre política, economia, cidades, esportes e whatever.
Para nossa sorte, tem gente que conseguiu ter seu sonho realizado, como é o caso do diretor Cameron Crowe, que fez este filme auto-biográfico. Na história, que se passa em 1973, vemos o adolescente William Miller (Patrick Fugit), que apresenta uma certa precocidade intelectual misturada numa pureza infantil com a oportunidade de acompanhar a banda Stillwater em sua turnê pelos EUA para escrever uma matéria de 3 mil palavras e receber em troca mil dólares (uau) para a revista Rolling Stones. Uma espécie de guru do jornalismo que ele faz amizade, interpretado por ninguém menos que Philip Seymour Hoffman, dá o melhor conselho possível: seja honesto e impiedoso. "Não faça isso para travar amizade com pessoas que querem servir-se de você para satisfazarem os seus desejos de grandeza". Olha que sabedoria, que lição de jornalismo!
O coitado do moleque, aos 15 anos de idade, sai debaixo das asas ultra-protetoras da mãe e embarca nesta jornada ao lado de um monte de groupies, que ele acaba simpatizando logo de cara, e claro, se apaixonando por uma delas, a Penny Lane (Kate Hudson), que é apaixonada pelo guitarrista do Stillwater, Russell Hammond (Billy Crudup, que tem um sorriso lindo com covinhas e tudo exibido no filme debaixo daquele bigode obsceno). No elenco temos ainda Jason "Earl" Lee, que faz o vocalista Jeff Bebe e sua groupie Polexia Aphrodisia, interpretada por Anna Paquin (a Sookie de True Blood). É claro que no meio do caminho temos muitas histórias que são verdadeiras, e muita música que, embora compostas nos anos 1960 e 1970, até hoje fazem meu coração doer.
No elenco temos ainda Frances McDormand interpretando a tal mãe super protetora, e a sempre ótima Zooey Deschanel como a irmã de William. Com esta história Cameron Crowe ganhou o Oscar de melhor roteiro original e Frances McDormand e Kate Hudson foram indicadas nas categorias de melhor atriz coadjuvante, além da indicação de melhor edição. Também arrematou o Globo de Ouro de melhor filme comédia/musical e melhor atriz coadjuvante (Kate Hudson).
TAMBÉM VALE A PENA VER
Singles - Vida de Solteiro
Também escrito e dirigido por Cameron Crowe, o filme foi lançado em 1992, quando todo mundo ouvia Nirvana, Alice In Chains, Soudgarden, Mudhoney, Pearl Jam etc. Aliás, no filme temos participação especial de vários ícones do grunge. A história se passa em Seatle, claro, e conta a vida de alguns jovens solteiros, daquela fase pós-faculdade, pré-arrumar-emprego-e-ser-bem-sucedido. Todos moram num prédio de kitnets (daí o nome Singles), se conhecem, se relacionam e tal. No elenco temos Bridget Fonda, Campbell Scott, Kyra Sedgwick, e Matt Dillon.







Helô!! eu adorei esse filme!!! ( assisti no começo do ano passado, acho)
ResponderExcluirMas vou te contar que precisei ler o seu resumo pra lembrar do filme, ODEIO MINHA FALTA DE MEMÓRIA!!!!
Vou baixar e assistir de novo... vou aproveitar que o maldito gardenal esta indo embora do meu sangue!!!