Twin Peaks. Vale a pena ver de novo. Ou não!
Estamos naquela safra em que as séries “principais” acabam e o mid season, que na minha opinião possui as tramas mais legais, estão começando. Então resolvi rever uma série que sempre me intrigou, principalmente porque o primeiro contato que tive com Twin Peaks, lá no início dos anos 1990, foi muito pífio. A TV Globo, que na ocasião transmitia os episódios, decepcionada com o desempenho da audiência, achou por bem pular alguns capítulos para encerrar logo a trama. Pois é, por mais absurdo que pareça, isso aconteceu.
A cena que está ainda vívida em minha memória desde aquele tempo é da personagem Audrey Horne (Sherilyb Fenn) colocando uma cereja com cabo e tudo na boca, e devolve para a dona do prostíbulo o cabo com um nó. Tudo isso para provar, digamos, seus dotes sexuais.
Aliás, na minha mente inocente, eu não conseguia enxergar a excelente trama por trás de toda perversidade, promiscuidade e aquela coisa de sonhos, hotel, madeireira, cachoeira e uma floresta sinistra. David Lynch, criador da história, já era conhecido naquela época como um cineasta que caminha com tranquilidade pelo inusitado, surreal, com generosos toques de fantasia. E é tudo isso que encontramos em Twin Peaks. A premissa é simples: numa pequena cidade no norte dos EUA, que faz fronteira com o Canadá, uma jovem é brutalmente assassinada. Devido a algumas semelhanças com um crime que já havia ocorrido em outro local (fato que não é bem explicado), um agente especial do FBI é designado ao local, para investigar mais a fundo. Entra em cena então Dale Cooper (Kyle MacLachlan), um investigador igualmente inusitado, com técnicas pouco ortodoxas, mas incrivelmente eficientes. A função dele é descobrir quem matou Laura Palmer. E isso só vamos saber lá pelo meio da segunda temporada. E como a primeira temporada de Twin Peaks foi um sucesso, com parcos sete episódio, claro que todo mundo quis aproveitar e a segunda temporada teve exagerados 22 episódios. Já ia ser difícil se manter super interessante o tempo todo, mas as histórias paralelas, como a gravidez da secretária da delegacia, a investigação independente feita pelos adolescentes amigos de Laura Palmer, o mecânico e sua esposa caolha e louquinha, a chinesa que herdou a madeireira e, obviamente está aplicando um belo de um golpe em todos, o dono do hotel que também quer aplicar golpe em todos, a dona da lanchonete com seu marido ex-presidiário, e por aí vai. Claro que todos são interessantes, mas a trama principal é tão complexa, que de repente tentar entender o que determinada visão/alucinação que um personagem teve, fica um pouco demais.
O mais curioso é como David Lynch consegue construir aquele clima de sonho na história, a maneira como é contata, as cores, os sons, os pequenos detalhes. Tudo para, no fim das contas, aquela premissa básica de homicídios em série estar mais ligada ao mundo sobrenatural e a difícil missão de conter um ser que nem ao menos deste mundo é, pelo menos fisicamente.
O grande problema foi enrolar demais a história na segunda temporada, deixando várias pontas soltas e absolutamente desnecessárias. Acredito que a intenção era até fazer uma terceira temporada, porém não merecia tanto. Claro que muita coisa ficou sem explicação, e o final que compromete o melhor personagem da história, o detetive Dale Cooper, o elo de ligação entre o racional e surreal, deixa todo mundo de cabelo em pé, mas sinceramente, merecia um desfecho mais definitivo. É uma pena. Perderam oportunidade de fazer uma das melhores séries de TV apenas para tentar cavar mais episódios.
O grande problema foi enrolar demais a história na segunda temporada, deixando várias pontas soltas e absolutamente desnecessárias. Acredito que a intenção era até fazer uma terceira temporada, porém não merecia tanto. Claro que muita coisa ficou sem explicação, e o final que compromete o melhor personagem da história, o detetive Dale Cooper, o elo de ligação entre o racional e surreal, deixa todo mundo de cabelo em pé, mas sinceramente, merecia um desfecho mais definitivo. É uma pena. Perderam oportunidade de fazer uma das melhores séries de TV apenas para tentar cavar mais episódios.







Mas a série daria muito bem inúmeras temporadas, porque primeiramente David Lynch nunca quis revelar quem matou Laura Palmer,e seria fantástico se isso tivesse acontecido, e os personagens do Red Lodge são tão complexos, seus meios tão escusos que brincando a série conseguiria as seis temporadas de Lost.
ResponderExcluirConcordo com você, o universo de Twin Peaks é tão amplo que poderia ser esticado em muitas temporadas. O problema é que a segunda foi tão doida, que naquela época não seria renovada. Hoje os tempos são outros e talvez até mereça um remake.
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