I’ll see you in another life, brotha



Se fosse para escolher uma única frase que sintetizasse toda a trajetória de Lost (como se isso fosse possível), seria esta, dita por Desmond Hume: “I’ll see you in another life, brotha”, ou “Eu vejo você em outra vida, mano”. Sim, quando Desmond disse isso para o Dr. Jack Shephard lá no início da segunda temporada ele estava, na verdade, sentenciando o final de Lost.

Mesmo que você não se interesse pela série, é praticamente impossível não saber que acabou no último domingo, dia 23 de maio. A mídia bombardeia de todas as maneiras, fala da mudança de comportamento em exibir e assistir séries, do pioneirismo em se contar história e cativar o telespectador etc. etc. etc.

O final de cada temporada de Lost sempre foi impactante, e seus mistérios tão deliciosos de serem estudados e solucionados que eu, assim como muita (mas muita mesmo) gente nos dedicamos desde 2004. Sempre falei sobre como era bom o tempo “de inocência”, quando nossas maiores dúvidas costumavam ser: como um paraplégico consegue andar?; de quem é a voz da francesa na gravação do SOS?; como uma ilha tropical tem um urso polar?; quem são os outros?; o que é o monstro da fumaça?; o que é a Iniciativa Dharma?; e, o mais importante, o que é a ilha?

Na verdade são perguntas realmente importantes, e que foram respondidas no decorrer da série, seja de forma sutil ou como um soco no estômago. Mas como conseguir colocar um ponto final neste punhado de enigmas? Imagino que não exista uma fórmula perfeita, mas acredito que os produtores conseguiram fazer um final realmente emocionante e digno de toda esta história. Afinal, no final das contas, a história não era sobre a ilha, Jacob, monstro da fumaça, eletromagnetismo e tal. A história é, e sempre foi, sobre a vida e morte dos sobreviventes do voo 815 da Oceanic.

SPOILERS.......................SPOLEIRS.....................SPOLEIRS

Quando Jacob passa a função de guardião para o Jack eu fiquei realmente contente. Sempre tive uma relação de amor e ódio com o Jack, e teve até uma época em que eu achava que ele estava lá só pra estragar tudo que as outras pessoas custaram tanto a construir (vide a bomba H no dia do incidente, que no final das contas explodiu coisa nenhuma, o incidente realmente aconteceu e a Dharma construiu aquela estação em que o Desmond passou anos apertando os “bad numbers” e “salvando o mundo”). Nesta temporada, quando ele assumiu o papel de Homem de Fé, deixando o Homem da Ciência pra lá, eu realmente torci pra ele, porém sempre com aquele medo de que fizesse alguma besteira. Mas ele se comportou direitinho. Então, meio que compactua com o Evil Locke (o monstro da fumaça, o irmão sem nome do Jacob) de deixar que o Desmond vá ao coração da ilha, apostando que com isso destruiria o Evil Locke, enquanto este apostava que somente o Desmond seria capaz de destruir a ilha e ele finalmente seria livre. No fim das contas os dois estavam mais ou menos certos.
Ao apagar a tal da luz removendo a pedra, o Evil Locke deixou de ser indestrutível e foi morto. O problema é que a ilha ia mesmo afundar. Então lá vai o Jack, ferido, com aquelas marcas que a gente viu aparecerem na realidade paralela, colocar de volta a pedra que o Desmond tirou e assim restaurar a luz e salvar o mundo. Nessa hora fiquei com medo que se o Jack não saísse logo de lá, ele mesmo se transformaria no monstro da fumaça, uma vez que foi isso que aconteceu com o coitado o irmão do Jacob, cujo único desejo era sair da ilha. Mas não, ainda vivo o Jack sai de lá e foi para o seu final absurdamente simples e ao mesmo tempo lindo, emocionante e inesquecível.

Enquanto isso (e a graça de Lost sempre foi o “enquanto isso”, o contraponto de outras histórias dos mesmos personagens fora da ilha, seja em forma de flashback, flashforward, ou flashsideway) muitas emoções na realidade paralela. Foi realmente lindo ver os personagens caindo na real, se lembrando da vida que tiveram na ilha, das pessoas que amaram, dos dramas, mortes... E Christian Shephard explicando para o filho que aquela realidade de mentira na verdade não é paralela, é pós-morte, é atemporal, e todas aquelas pessoas que compartilharam tantas histórias estão todas lá para entender e seguir em frente.

E a cena final, assim como a cena inicial, é aquela do Jack no bambuzal, com o Vicent (sim, o cão labrador) ao seu lado. Seus olhos se fecham e tudo acaba. Quer dizer, a série acaba, mas a história continuou com Hurley como o guardião da ilha e Ben (sim, nosso querido vilão Benjamin Linus) como ajudante do Hurley. Quanto tempo eles fizeram isso? Como Christian Shephard disse, o tempo nesta história não importa.





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