De Volta para o Futuro, Efeito Borboleta e Lost que nada: o negócio é Being Erica

Mulher, 30 e poucos anos, muitos arrependimentos. Sem relação amorosa fixa e sem decolar em sua profissão. Como resolver isso? Simples! Voltar no tempo. Quer coisa melhor do que os anos 90, o grunge, a fase pré internet, pré celular, disco de vinil e fita k7... Não é a toa que logo de cara, no primeiro episódio, entendi Erica Strange, a protagonista de Being Erica, como se fosse uma amiga que eu mesma testemunhei suas mais trágicas ou cômicas histórias. Afinal, ela nasceu em 1976, eu em 1977, e temos muitas aflições em comum.

A sorte de Erica é encontrar um terapeuta (ser encontrada, para ser mais exata) com um tratamento pra lá de alternativo: voltar no tempo e consertar seus grandes erros, aqueles que a levam toda noite, quando põe a cabeça no travesseiro a remoer ‘e se eu tivesse feito assim ou assado agora minha vida seria zilhões de vezes melhor’.

No começo dá raiva, pois ela está no lance da questão, e faz várias coisas erradas (ela tem que consertar, não piorar a situação). Mas deve ser assim mesmo quando a gente é mandada de volta no tempo, ficar meio sem rumo.

O que mais gostei de Being Erica, além do óbvio, é que essas viagens no tempo não têm aquela complexidade toda que físicos adoram debater: não rola teoria da relatividade, efeito borboleta, nem buracos de minhoca, sem constante ou variável, nem nada trágico, como aneurismas, esquizofrenia ou outras doenças mentais (pelo menos por enquanto). É como terapeuta dela, Tom (Michael Riley), disse em palavras mais doces que a minha: sua existência não é tão importante assim a ponto de, se você perder a virgindade com Zezinho ou Luizinho, mudar o rumo história da humanidade.

A série é produzida pelo canal canadense CBC e já teve duas temporadas exibidas e garantia de volta para a terceira temporada. Um roteiro bem amarrado, protagonistas muito bons e momentos realmente engraçados compõe essa história que tem como atriz principal Erin Karpluck, que consegue ser bonita e fazer rir, fato que lembra as vezes a Rachel de Jennifer Aniston em Friends. Pouco conhecida e com poucos trabalhos no currículo, Erin faz por merecer e até já ganhou um prêmio lá no Canadá por sua atuação.

Por enquanto nenhum canal brasileiro se aventurou em exibir Being Erica, mas quando isso acontecer, acompanhe todos os episódios. Mas não se desespere se perder algum, pois a reprise na TV ou o tradicional formato em DVD nos garantem voltar e ver de novo sempre que quiser. Não é tão legal quanto voltar, viver e até modificar uma situação, mas cada um viaja do jeito que pode. Sortuda essa Erica viu.

Comentários

Postagens mais visitadas