Mad Men e o que Donald Draper fez, faz e fará
A HBO Brasil traz a partir de sábado a terceira temporada de Mad Men. Premiada e idolatrada, a série é ambientada na transição dos anos 1950 e 1960, antes da revolução cultural dos hippies e tudo de bom que trouxeram para nossa sociedade. Naquela época direitos iguais entre os sexos era algo inimaginável, assim como o preconceito sofrido pelos negros e judeus, hoje inconcebível, era tratado com normalidade até então. O tabu com relação à homosexualidade então era maior do que acender a luz do banheiro três vezes para invocar a Loira do Banheiro. Um panorama muito diferente da realidade vivida hoje, embora até hoje alguns carreguem o ranço sexista, racista e religioso.
Digamos que a trama principal se passa em uma agência de publicidade, embora em alguns episódios o foco principal não é esse local. Lá os homens bebem e fumam como se não houvesse amanhã, assediam as secretárias e telefonistas, criam campanhas e enrolam a maior parte do tempo.
Vemos uma secretária em ascensão Peggy Olsen (a excelente Elisabeth Moss), que me enche de orgulho! Aos poucos vai ela conquistando seu espaço, respeito, parte para o departamento de artes e conquista até sua própria sala – isso sem precisar trocar favores sexuais com ninguém. Aliás, o único colega com que ela teve um relacionamento só lhe trouxe decepção amorosa e uma gravidez indesejada. Temos um gay descendente de italianos e católico fervoroso que ainda não saiu do armário, e que provavelmente jamais sairá, embora uns e outros já tenham sacada qual que é a dele. O dono da agência é um senhor excêntrico e seu sócio está mais interessado em curtir a vida do que qualquer outra coisa. E sobra a “peãozada”, que faz o roda girar.Mas o grande destaque de Mad Men é Donald Draper, interpretado por Jon Hamm, faz o tipão de homem com H maiúsculo, tem uma esposa, dois filhos, casa no subúrbio, carrão e um passado sombrio. Por ser reservado e observador, entende as pessoas a sua volta com eficiência e por mais que tenha a corda no pescoço em determinados momentos, consegue dar a volta por cima.
A esposa de Don é linda e infeliz. Até agora não entendi porque ela é tão infeliz assim. Se é a vida suburbana, o marido infiel, a maternidade ou se está apenas querendo chamar a atenção. A série, que é ambientada em Nova Iorque, prima pelo figurino, cenário e fotografia.

Por mais que regularmente eu assista Mad Men, ainda não vi esse chamariz todo. Talvez quando Kennedy for assassinado, o homem ido à Lua, Woodstock simbolizado a contra-cultura e as mulheres possam mostrar mais do que canela - e nesse caso me refiro à competência, e não partes do corpo - as coisas fiquem mais interessantes. Porém muitos reconhecem a qualidade da série. Tanto é que já venceu o Globo de Ouro de melhor série dramática em 2008, 2009 e 2010. Na mesma premiação, o ator Jon Hamm foi reconhecido como o melhor ator. Já conquistou um Emmy também, além de Screen Actors Guild para melhor elenco em série dramática. A linguagem de Mad Men é bem subliminar. O que não é dito com todas as letras pode ser interpretado através do olhar, de um gesto, ou simplesmente pela ausência de qualquer demonstração de emoção. Creio que publicitários, marqueteiros e afins, do gênero masculino, se identifiquem mais com Mad Men do que eu. Acho que ser assistida esporadicamente, não é daquelas que ‘vicia’, mas vale a pena por todas virtudes destacads acima.






Helô, sou fã de carteirinha desse seriado. Vou ter que voltara a assinar um novo pacote de TV para ter a HBO de novo, pois vale a pena. Resumindo, é tudo isso que vc escreveu e mais um pouco... Um roteiro bem original ao meu ver junstamente pela narrativa indireta.
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