Garotos Perdidos
Quando Cazuza cantou “meus heróis morreram de overdose”, não poderia ter sentenciado algo tão exato, pelo menos para mim. Desde Brian Jones, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Janes Joplin – e a mórbida coincidência de terem 27 anos de idade, essa história vem se repetindo, não só com ídolos do rock, como artistas em geral. Temos casos que tentam a todo custo nos convencer que o pobre coitado sentia fortes dores nas costas e por isso desenvolveu uma dependência química com determinado medicamento.
É por essa e por outras que morro de raiva quando fazem da vida junkie de Amy Winehouse uma grande piada. Se ela usa e abusa das drogas e álcool, se ela vai morrer também aos 27, se o cabelo dela é em forma de bolo, o olho muito delineado, e a vida amorosa um desastre, nada disso me interessa. O que me interessa é que ela gravou dois álbuns muito bons, talvez uma das poucas coisas que valha a pena no rock dos anos dois mil. Mas a vida dela virou um circo e todo mundo só quer saber de fofoca.
Obviamente temos o contraponto de todo o glamour de sexo, drogas e rock n’ roll quando vemos crianças e adolescentes perdendo toda a inocência no submundo. E nesta semana o caminho errado encontrou mais um garoto perdido. Está certo que ele estava nesse caminho errado desde que era realmente um simples garoto. Corey Haim, que tinha 38 anos, morreu no dia 10 de março por uma “overdose acidental de drogas”. Ponho entre aspas porque a tendência é sempre maquiar um fato, mesmo que seja para sensacionalizar ainda mais. A verdade é que o ator, que não fazia nada de bom desde que saiu da puberdade, sempre foi publicamente um consumidor ferrenho de substâncias ilícitas, passou diversas vezes por clínicas de reabilitação e até chegou a fazer um reality show com um outro garoto perdido, o seu xará Corey Feldman.
Os dois fizeram o maravilhoso clássico filme de vampiros Garotos Perdidos, o legalzinho Sem Licença Para Dirigir, e Um Sonho Diferente (que sinceramente não me lembro de ter assistido), todos nos anos 1980. Eram adolescentes que viraram ídolos de uma geração (inclusive meus). E caíram no esquecimento (inclusive para mim). Na verdade, não pensava nele até saber que participou da continuação do filme Garotos Perdidos, mas quando vi, além de achar o filme muito aquém do primeiro, não sabia qual Corey era aquele. Afinal ele até que era gatinho quando adolescente (apesar daquela boca irritantemente mole), mas depois dos trinta passou a ser mais um.
E assim como os garotos perdidos daquela outra história que eu amo muito (Peter Pan), Corey Haim foi para a Terra do Nunca, onde não se envelhece. E muitos outros seguirão o mesmo caminho. Como diria Jim Morrison na própria trilha sonora de Garotos Perdidos (que na ocasião é cantada por Echo and the Bunnymen):
People are strange, when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
Women seem wicked, when you're unwanted
Streets are uneven, when you're down
When you're strange, faces come out of the rain
When you're strange, no one remembers your name
When you're strange, when you're strange,
when you're strange





Amei Essa Materia u.u
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