Lost e velocidade das coisas





Eu sou do tempo que quando a internet se popularizou era a coisa mais sensacional do mundo! Nas férias entre o primeiro e segundo ano da faculdade de jornalismo, entre 1996 e 1997, fiz até curso com os nerds do curso de análises de sistemas para aprender a mexer no Netscap (para os desavisados, era o navegador da época, o similar do Explorer de hoje em dia). Eram necessários muitos minutos para simplesmente entrar em uma página. Ainda na época da faculdade, um dos meus ídolos do jornalismo, André Forastiere, deu uma palestra na qual ele dizia que em poucos anos qualquer um poderia ter uma página na internet. E isso era um pensamento revolucionário!

Hoje o que seria de nós sem a rede mundial de computadores (a mídia adora usar essa denominação)? Para mim é tão essencial quanto energia elétrica, telefone, água e esgoto. Mas ao invés de ficar aqui mostrando o quão antiga sou, o ponto que quero chegar é que hoje a informação é nosso maior bem, e ter acesso à ela em tempo real é imprescindível.

Eu sempre adorei seriados de TV, sendo a maioria estadunidense, mas com um bom espaço para os brasileiros desde Armação Ilimitada à Comédia da Vida Privada e Os Normais. Mas fiquei injuriada com os canais abertos e resolvi investir meu parco salário com uma operadora de TV paga. Foram anos de paixão cega. Eu amava aquele controle remoto! Assistia principalmente séries. Até que um dia Lost entrou na minha vida. Passei duas temporadas agonizando semana após semana, e entre uma temporada e outra, para saber o que ia acontecer. O que tem dentro da escotilha? Quem são os Outros? O que é a Iniciativa Dharma? O que é o Monstro (Lostzila)? Porque ninguém resgatou eles? Mera coincidência ou há um motivo para a aparente ligação entre alguns sobreviventes antes da queda do Oceanic 815? Ah, doce tempo de perguntas inocentes e hoje absolutamente irrelevantes...

Aí, com a demora da estreia da 3ª temporada me aventurei no maravilhoso mundo dos downloads de episódios em AVI ou RMVB gratuitamente. Devo admitir que na época era um bicho de sete cabeças, mas como os episódios estão disponíveis legendados um dia após a exibição nos EUA, fui forçada a aprender. Só sabia um caminho e como diz o ditado, “se a grama muda de cor morre de fome”. De temporada em temporada eu aprimorava meus conhecimentos, até que há pouco mais de um ano resolvi me aventurar para outras, as privilegiadas séries da HBO e afins, onde o sexo (hetero, homo, bi, suruba etc.), drogas, violência e palavrões são mostrados sem pudores, claro que dentro de um contexto e na maioria das vezes com um delicioso humor e uma boa dose de drama vivido por qualquer ser humano. São um recado para a sociedade que cada vez mais perde a vergonha na cara mas que ainda gosta de manter as aparências de recatada. Um exemplo popular é o Sexy and the City.

E assim, no eterno aprendizado, chegamos na última temporada de Lost. Hoje, dia 9 de fevereiro, ela estreia oficialmente no canal pago AXN, que merece todo crédito e louvor por conseguir levar o episódio ao ar apenas uma semana após a exibição nos EUA. Ainda não estão tão ágeis quanto nossos amigos do download, mas pelo menos estão no caminho certo. Eu, como boa fanática, já vi e acho muito chato ler, antes de assistir, o que vai acontecer, também conhecido como spoilers. Se você é desses que torce o nariz para Lost, recomendo que vá numa boa vídeo-locadora e pegue os DVDs de todas as temporadas. Vá assistindo aos poucos que dá tempo de acompanhar a última temporada, talvez também em DVD. Se você tem uma boa conexão de internet, baixe os episódios. Todos estão disponíveis, é só fuçar um pouquinho e aprender. Um bom começo é pesquisar no Google. Lá você encontra de tudo.

Mas aqui vai uma dica para quem já viu alguns episódios e não está acompanhando o rumo da conversa: agora temos duas realidades. Aprender um pouquinho de física quântica e teorias de viagem do tempo, universo paralelo, mitologia egípcia e questões bíblicas ajudam bastante a interpretar os mistérios. E eu que achava os caras da faculdade de análise de sistemas nos idos anos 90 nerds!

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