FlashForward e a dura missão de ser “o novo Lost”


Não é nem um pouco fácil repetir um sucesso, ainda mais na TV. E coube à série FlashFoward, que estreia no dia 23 de fevereiro, às 22h, no canal pago AXN, a alcunha de “novo Lost”. Eu sou fã incondicional dos nossos perdidos naquela mística ilha, mas nem por isso fechada a novas séries. Acho que o maior pecado de FF foi perceber que estava perdendo o rebolado e congelar a série por mais de cem dias, no meio da primeira temporada, ao invés de correr atrás do prejuízo e corrigir seus pequenos defeitos semanalmente. O episódio de número 10 foi exibido em três de dezembro de 2009 pela ABC e próximo vai passar apenas em 18 de março. E o pior: essa pausa é absolutamente desnecessária e provavelmente prejudicial, pois quando você começa a se acostumar com a história de repente fica sem ela por mais de três meses.
Mas vamos começar pelo começo. A série pegou um mistério muito legal como ponto de partida: de repente, sem mais nem menos (aparentemente) toda a população do planeta teve um apagão, como um desmaio, que durou exatamente para todo mundo 2 minutos de 17 segundos. Porém, para adicionar ainda mais mistério, todo mundo viu o seu futuro, o que estaria fazendo dentro deste período de tempo dali a seis meses. Alguns ficaram apenas com atividades rotineiras. Outros momentos cruciais. Uns felizes da vida. Outros pra lá da infelicidade. Mas o pior é que teve gente que não viu nada, só trevas. Ao acordar o mundo está um caos, cercado de acidentes aéreos, terrestres, aquáticos e por aí vai. Milhões de pessoas morrem. Quem não morreu tenta entender o que aconteceu e como lidar com essa situação de saber o que vai acontecer no futuro (será que vai acontecer mesmo?). É possível modificar o futuro, intencionalmente ou não, ou o simples fato de saber o que vai acontecer leva a pessoa exatamente para aquele momento que visualizou?
A premissa é excelente. O problema é como a história é conduzida. O personagem principal, um agente do FBI, está dividido entre a sua visão do futuro e o futuro com sua esposa, que aparentemente dentro de seis meses estará feliz da vida numa relação amorosa com uma pessoa que ela nem sequer conhece. Mas o que ele sente não tem relevância. O que importa é o que aconteceu, como aconteceu, porque aconteceu e no que é que tudo isso vai dar. Só que encontramos uma enrolação sem fim. Os agentes do FBI, que normalmente são “Os Caras” estão perdidos entre entraves políticos e uma mísera equipe de poucos componentes é montada. A impressão que se tem é que FF seria um excelente filme, mas não possui conteúdo suficiente para ser uma série.
No elenco temos até alguns Losties, como Dominic Monaghan (o Charlie, aquele que escreveu “Não é o barco da Penny” antes de morrer), e Sony Walger (a Penny, amada e “constante” do Desmond). Aliás, quando se fala em viagem no tempo é impossível não pensar em Lost e tudo aquilo que aprendemos nas últimas temporadas. Mas sempre fica aquela impressão de que ao invés de manter as virtudes de Lost, FF enverga para os defeitos de Heroes, como revelar determinado assunto de sopetão, e, o pior, os personagens aceitarem tal mudança com a maior naturalidade. Agora é esperar que esses cem dias surtam efeito e que os próximos 12 episódios correspondam às expectativas.

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