Funny People? Onde?


O que esperar de uma comédia cujos melhores momentos são protagonizados por Eric Bana? Sim,
aquele cara lindo de filmes “sérios”, como Tróia, Hulk e A Outra. Pois é isso o melhor que se pode esperar de Funny People, que também recebeu o infeliz nome em português de “Tá Rindo do Quê?”. Devo admitir que tenho um problema muito sério com Adam Sandler, ator principal desta história de um humorista que descobre que tem uma doença super rara e incurável, resolve se reinventar arrumando um pupilo e consertando as cagadas que fez na vida, e que milagrosamente é curado por um tratamento canadense super alternativo feito por um médico que realmente parece um dos bandidos de Duro de Matar. Mas não vi o filme por ele, e sim pelo que considero um dos melhores do momento, Seth Rogen. Decidi não culpar Rogen por ser um mala o filme todo. Deve ser um requisito ao fazer um filme com Sandler. Do tipo, “se aquele fulano for mais engraçado que eu ele está fora do filme”. E como Sandler não tem um pingo de graça, coube ao senhor-delícia Bana os melhores (e acredite, muitos poucos) momentos.


Sei que parece teoria da conspiração infundada de alguém com insônia, mas acredite, o Seth Rogen de O Âncora, O Virgem de 40 Anos, Ligeiramente Grávidos, SuperBad, Segurando as Pontas e Quase Irmãos é muito, mas muito melhor do que essa babaquice de, pasmem, 146 minutos! Sim, são duas horas e vinte e seis minutos esperando que algo realmente bom aconteça, mas esse momento não vem! Filmes absolutamente geniais como Ray (156 minutos), Sangue Negro (159 minutos), Os Infiltrados (152 minutos), Onde os Fracos não têm vez (122 minutos), só para citar alguns vencedores de Oscars, justificam cada minuto que você passa assistindo-os. Mas este definitivamente não é o caso.

Então resolvi refletir. Porque não é culpa do elenco se o filme é ruim. Tem roteiristas, produtores e diretores por traz de toda história. Para tentar entender porque este filme é tão particularmente ruim, resolvi pesquisar sobre eles. O diretor é Judd Apatow, que tem no currículo apenas quatro filmes, sendo que dois deles eu adoro (O Virgem de 40 anos e Ligeiramente Grávidos), um é esse que agora eu oficialmente odeio, e outro que ainda não vi (The Zookeeper). Mas aí descobri que a esposa e as duas filhas do diretor estão no filme (nepotismo atrapalha os negócios). Sim, e aí a coisa fica realmente chata.

Eu vivia criticando o Seth Rogen por fazer sempre o mesmo papel, de gordo-judeu-canadense-maconheiro, mas não sei se o que faz falta é a gordura ou as drogas, mas que fiquei torcendo para que ele acendesse um baseado e desse aquela risada escrachada, ah, isso eu fiquei. E claro, como a esperança é a última que morre, fiquei com aquele sorriso idiota no rosto esperando por um momento que valesse a pena, mas dei poucas risadas e nenhuma gargalhada ao longo dos longos 146 minutos. E só pra estragar a graça de quem ainda assim quer ver, o Adam Sandler nem morre no fim, nem fica com a mocinha. Sim, morte e amor sabem que se ficar perto do Sr. Sandler é risco certeiro de achar a vida realmente um saco.


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